quinta-feira, maio 06, 2004

Thomas Brinkmann . Tokyo + 1 # Múm ao vivo no TSB



Gravado entre Novembro de 2002 e Novembro de 2003, o novo Brinkmann - um dos artistas mais prolíficos ligados à actual electrónica - é um disco conceptual, dedicado ao universo da cidade de Tóquio. Nele, Brinkmann diverte-se a utilizar gravações de sons de gente nas ruas, do sistema de metro da cidade, de máquinas de jogos e até de músicas pop ocidentais revistas pelo temperamento delirante dos japoneses (ideia preconcebida, reforçada após a visualização de 'Lost in Translation') para fazer um dos seus discos mais multifacetados e recomendáveis até à data - que passa do house mais rugoso até ao noise industrial, do techno minimal aos momentos ambientais mais abstractos, sem nunca perder o fio condutor. A edição é da Max.Ernst. (não garanto que o link anterior funcione na perfeição.)

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Local: Teatro Sá da Bandeira,Porto
Hora: 22 Horas
Como é de bom tom afirmar sempre que a ocasião permite, "o concerto de hoje dos [inserir nacionalidade e nome dos artistas] revelou uma banda igual a si própria". No caso concreto, estivemos perante uma música demasiado auto-consciente da sua beleza e fragilidade, estruturada de forma a não deixar as canções 'respirar', sem rasgos de entusiasmo nem grande dinâmica e que só teria a ganhar se os restantes membros da banda conseguissem convencer a delicada Kristín Anna Valtýsdóttir (ah... as vantagens do copy/paste!) a permanecer prudentemente afastada do microfone durante a maior parte dos noventa minutos que durou o concerto. Apesar da voz de anjo caído em desgraça(*), o concerto da noite de ontem foi, ainda assim, capaz de superar as expectativas - que, de qualquer das maneiras, já não eram muito altas - com duas ou três óptimas recuperações dos discos anteriores e uma transição de disco para palco competente e satisfatória. (interessante o facto dos músicos tocarem alternadamente quase todos os instrumentos e o pormenor dos sinos num dos temas cujo nome não consigo precisar nesta altura ... ahhh ... os sinos... méeee)
A primeira parte esteve a cargo de Mugison, one man show de tendências trapalhonas, capaz de animar o público que preenchia a plateia do Teatro com samplagens em tempo real da sua própria voz e guitarra eléctrica furiosa, acompanhadas por uma música electro-acústica (a lembrar Four Tet) pré-gravada a espaços muito bonita, intervalada por várias leituras de poemas de temática sexual ditos com um sotaque português delicioso, inspirado - certamente de forma involuntária - no sotaque de Sua Santidade o Papa João Paulo II, ele mesmo.

(*) Aqui estava até há meio minuto atrás um comparação com o bardo da aldeia de Asterix que, para além de forçada, nem sequer tinha grande piada.